Sentada na delegacia, me disseram que eu não poderia ficar ali, eu precisava ir embora, mas não tinham conseguido falar com minha família, eu pedi para ir sozinha para casa, mas eles disseram que não poderia sair.
Ai me disseram que iriam me levar para casa, eu de pronto implorei:
-Por favor, não me levem para casa.
Para quem não sabe eu fui criada em um lugar pequeno, daqueles que todos se conhecem e que os comentários são inevitáveis.
Eu logo pensei:
-Como vou chegar lá de viatura, o que vão dizer de mim? (o que as pessoas pensaria de mim sempre foi um problema até 1 ano atrás).
Um policial, me perguntou se eu conhecia alguém naquela região, e eu logo indiquei a casa de uma amiga da minha mãe.
Eles me levaram para lá, e explicaram tudo para ela. Depois de alguns minutos minha mãe chegou desesperada.
Desesperada e sem saber como agir comigo, já chegou nervosa e brigando, vejo que isso é tipico em pais que não sabem lidar com seus filhos adolescentes.
Triste realidade que não ajuda em nada, pois a adolescência é uma fase muito complicada, são muitas cobranças internas e externas, a fase das inseguranças, da autoaceitação, precisa de cuidados e paciência.
Ao sair com a minha mãe na rua, uma pessoa desconhecida me falou assim:
-Você não é aquela menina que estava tentando se matar lá na passarela?
Eu só abaixei a cabeça.
Quando cheguei em casa, fiquei quase uma semana sem sair na rua, os olhares, os buchichos, tudo aquilo perturbava a minha mente, eu queria desaparecer, não aguentava tanta gente falando sobre aquilo e sem saber dos fatos.
Enfim, até hoje eu não sei exatamente como foi a repercussão desse episodio no ouvido das pessoas. Nem eu me lembrava de tantos detalhes que relatei aqui.
Depois de um tempo, voltei a "vida normal" afinal precisava estudar, ir para a escola era o meu maior prazer.
Acho que desse episodio encerro por aqui, se eu lembrar ou souber mais de algo, vou falando nos próximos posts.
Um grande beijo
Mari

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