Devido a minha fraqueza por não comer eu vivia tonta, as minhas vistas estavam sempre turvas, e meu coração sempre palpitando, sentia muita falta de ar e desmaiava nas escolas.
Eu nunca quis dar trabalho para meus pais, pelo contrário, tudo o que eu queria era que eles se orgulhassem de mim, as vezes eu me via internada e quando eu abria o olho, lá estava a minha mãe.
Debruçada em uma cadeira dura e desconfortável em um hospital gelado, sem estrutura nenhuma, por um lado eu tinha um conforto, pois via que a minha mãe sempre estava comigo, mas por outro, meu coração se rasgava, pois me doía ver minha mãe sofrer por minha culpa. Eu cresci com esse sentimento de culpa. Culpa por existir, me achava um fardo na vida dos meus pais.
Comecei a comer, mais dai, fui para o outro extremo, eu nunca fui de comer muito, minha comida sempre foi de passarinho, mas diante da angustia que havia na minha alma comecei a comer, comer, comer.
Depois me sentia culpada, e sofria muito com aqueles sentimentos e pensamentos, então eu ia no banheiro, colocava o dedo na garganta e vomitava.
Fora os laxantes, meu intestino se acostumou com eles e não funcionava mais sozinho. Precisava deles.
Fiz isso tantas vezes que hoje em dia, quando eu passo mal odeio vomitar, eu não aguento ver vômito. Meu estômago é muito sensível.

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