-Ver tudo cinza
-Não sentir o sabor da comida favorita
-Não sentir vontade de fazer aquilo que mais amava
-Respirar com dificuldade
-Se sentir culpada por tudo que acontecia em minha volta
-Culpar tudo e a todos ao mesmo tempo
-Ter medo de tudo e de todos
-Sofrer bullyng na escola, ser agredida e não contar para meus pais, pois eles não podiam fazer nada
-Chorar a noite toda quietinha para que os familiares não escutasse, pois sei que eles não iria entender o que sentia, e ainda que entendesse, eu sabia que eles não poderiam me ajudar, e ainda que pudesse, do que adiantaria, eu não acreditava mais em mim.
-Foi ver as pessoas sorrindo enquanto eu engolia seco para não chorar, não que eu tenha inveja da felicidade alheia, mas porque somente eu era infeliz?
-Foi achar que só eu estava infeliz, que só eu tinha dor, ou que a minha dor era maior que todas as outras dores.
-Foi achar que quem está morrendo de câncer ou outra doença terminal estava melhor que eu, afinal ela segue confiante que vai ser curada até a morte, enquanto eu perdi a minha confiança.
-Foi pensar em suicídio 24 horas por dia, mas não contar para ninguém, afinal isso é feio, isso é pecado, ok, sabemos que a bíblia diz que os suicidas não herdarão o reino dos céus (Gálatas 5:19-21), mas eu não precisava ouvir isso, eu não queria ouvir isso.....Eu precisava ouvir: Não se mate, eu te amo, eu te ajudo, você vai ficar boa eu te garanto!
-Foi ter que ouvir que era fresca, que não tinha fé, que queria chamar atenção, que era falta de surra, de trabalho, de sexo...
-Foi perder o emprego, pois eu tinha tanto medo das pessoas que não conseguia nem colocar o pé fora de casa, tinha que escolher, ou respirava ou saía na rua, simplesmente não dava para fazer as duas coisas juntas...
-Foi se afastar dos meus pais e irmãos os quais amo muito, porque sabia que eles já tem seus problemas e não podia e não tinha o direito de ser mais um fardo na vida deles...
-Foi comer sem fome, comer compulsivamente tentando preencher o vazio que sentia, a ansiedade tirava a minha paz, então eu comia e chorava, colocava o dedo na garganta e vomitava tudo, pois não podia engordar, já me chamavam de gorda com os pneuzinhos do lado, imagine se eu engordar-se mais...
-Foi cortar os braços, se jogar contra a parede, martelar a coxa até que ela ficasse fofa e roxa quase necrosada, na tentativa de acabar com a dor, achar que a dor tira dor...
-Foi receber a ligação da sua mãe que mora em outro estado, a qual não via a mais de 5 anos e ouvir ela me perguntar se estou bem, e mesmo depois de ter tentado me matar na noite anterior eu dizer para ela que sim. "Sim mãe estou bem, fique em paz, estou bem", pois eu sabia o quanto minha mãe já tinha sofrido e não queria que ela sofresse mais...
-Foi repetir a mesma maldita frase para a única pessoa que ficou ao meu lado, mesmo sem eu merecer (o meu marido) - Eu quero ficar sozinha! pedi para ele se afastar de mim para que eu consiga me matar em "paz"
-Foi sempre que possível falar para meu marido: Olha se acontecer algo comigo, queima meu corpo, joga as cinzas naquele parque que começamos a namorar, liga para meus pais, fala que morri, não diz o motivo e não permita que eles venham até aqui.
-Foi não entender o porque meu familiar tentou abusar de mim
-Foi não entender porque quando o outro familiar me agarrou e me fez sentar no colo dele, eu contei para minha mãe e ela me disse que ele tava brincando...
-Foi arrumar o primeiro namorado e sonhar com um casamento como toda mulher sonha e descobrir que ele só quis se aproveitar de mim.
-Foi arrumar o segundo namorado e esperar que ele case-se comigo e descobri que ele arrumou outras, e esqueceu de terminar comigo antes...
-Foi confiar na minha amiga de infância, e descobri que ela não guardou o meu maior segredo..
-Foi passar anos tendo raiva dela por isso, é entrar na rede social escondida para vê-la e não entender o porque ainda sentia amor por ela
-Foi reencontra-la depois de anos, querer abracar, beijar, dizer que a-amava, mais não consegui e simplesmente dizer: Oi, tudo bem, como se ela fosse qualquer uma
-Foi tentar ajudar as pessoas e me senti uma hipócrita, pois como poderia ajudar alguém se é eu que estava precisando de ajuda
-Foi ter que ver a amiga da minha sogra me acusar de não cuidar dela, sem saber que eu estava doente, e que mesmo doente eu cuidei da minha sogra como se fosse minha mãe...mas ninguém viu...porque não faço as coisas para ninguém ver...
-Foi entrar no vicio do álcool, e chegar em casa bêbada, e ter que ver meu marido enfiar o dedo na minha garganta, me fazer vomitar, e depois de ter me dado banho, me dar um café quentinho
-Foi chorar no dia seguinte, ficar envergonhada
-Foi sair pelas ruas desejando se juntar aos moradores de rua, afinal o que me diferenciava deles? se eles não prestavam para a sociedade porque estavam doentes, porque eu que estava doente mais trabalhava, tinha que viver em uma casa quentinha enquanto eles estavam na rua, morrendo de fome e frio.
-Foi ver o meu irmão mais velho se fastar de mim, porque depois de tantas brincadeiras inocentes que a gente fazia junto pelos rios, matas, e morros vir alguém com a mente suja e dizer que fazíamos sexo um com o outro.
-Foi odiar o sexo, ver como algo ruim, simplesmente porque os homens estavam sempre tentando tirar proveito do meu corpo.
-Foi confiar muito em um professor, e ele te levar para um lugar longe da sua casa, te isolar de suas amigas, e enfiar a mão nas minhas partes intimas e me olhar com desejo...
-Foi não entender o porque meu pai trabalhava tanto, porque ele nunca falava que me ama, porque ele nunca foi em uma reunião da escola...
-Foi não entender porque meus pais nunca percebeu a minha agonia, é entrar no meu quarto quebrar tudo lá dentro e ouvi minha mãe dizer da sala: Essa menina precisa ir no medico ela não tá normal, e ouvir meu pai dizer: O medico que vou dar a ela é uma surra.
-Foi ser pega na porta do colégio e levada para uma casa deserta e lá, se agredida violentamente, ser abusada sexualmente e ver meus sonhos de casar virgem ir por água a baixo...
-Foi sentir ódio dos agressores
-Foi contar para minha mãe, e menti não contando tudo, pois ela ia sofrer com os detalhes, afinal que mãe aguentaria ver sua filha ser violentada dessa forma....
-Foi saber que ela contou para meu pai e ele disse: a culpa foi dela
-Foi sentir a dor de levar a culpa, quando na verdade eu só queria um emprego para sustentar meus pais e meus irmãos
-Foi crescer vendo o meu pai que amo tanto agredir a minha mãe que também amo da mesma forma
-Foi sentir vergonha por ver os vizinhos ver meu pai batendo na minha mãe
-Foi ver o meu pai bater tanto, mas tanto no meu querido irmão mais velho, e ver ele não suportar a dor e ir se refugiar nas drogas
-Foi ver o meu irmão se acusado de coisas que ele não fez por pessoas que só queria o nosso mal
-Foi ter que ouvir meu pai dizer que as pessoas não mentem, elas não tem motivo para mentir, e ver meu irmão sentir as dores das pancadas, quando na verdade ele só queria que o meu pai, perguntasse para ele se foi verdade
-Foi ouvir dos meus pais que era preguiçosa porque levantava tarde, mas não entenderem que eu tinha tanto medo do meu pai, que eu tinha que esperar ele sair de casa para poder sair do meu quarto
-Foi ser forçada a trabalhar em casas de pessoas que me agrediam, mais eu tinha que ficar no emprego, pois eu precisava ajudar meus pais, e também, porque meu pai sempre dizia: Diga a ela que dê um jeito de ficar, pois pra casa ela não volta mais...
-Foi sair de casa um dia e quando voltar os portões estarem lacrados de cadeados (ser chutada de casa sem ter para onde ir)
-Foi sair de casa um dia e quando voltar os portões estarem lacrados de cadeados (ser chutada de casa sem ter para onde ir)
-Foi está dormindo em uma noite na casa do casal que eu trabalhava e acordar com o marido em cima de mim, todo pelado.....
-Foi andar sempre com uma faca ou um facão, disposta a matar a qualquer um que tentasse me agredir.
-Foi não contar nada para a mulher dele, achando que não iria mais se repetir e na semana seguinte acordar com ele cheirando minha peça intima e me assediando, perceber que iria ser violentada mais aquela noite e pular a janela, ter que correr para uma casa "emprestada", trancar tudo, mas mesmo assim se sentir insegura e me trancar dentro do banheiro e deitar em um chão gelado e pedir a Deus que ele não derrubasse a porta.
-Foi ver meu esposo ser caluniado pela família, ser agredido, e ser acusado de ter se afastado deles, quando na verdade meu esposo estava ocupado demais tentando não me deixar sozinha, pois ele sabia que eu iria me matar...
-Foi ter que ouvir: eu não sabia que você estava doente, também vocês não falam nada...quando ninguém bateu em nossa porta para perguntar se tínhamos algo para comer
-Foi me sentir culpada por meu marido não conseguir trabalhar e perder todos os empregos possíveis, pois pelo menos umas 2 ou três vezes na semana as empresas que eu trabalhava ligava para ele ir me buscar no hospital...
-Foi passar necessidade e ter que comer a ração do cachorro, porque esperava meu marido o dia inteiro na esperança que ele trouxesse um pedaço de pão, e ver ele chegar de cabeça baixa sem nada para comer...
-Foi ter que receber doações de roupas e calçados, de comida para poder aplacar a fome
-Foi ver meu esposo me dá um cachorrinho para poder me tirar da cama e ainda ouvi das pessoas que o cachorro está incomodando, que ele só pegou o cachorro para afrontar...
-Foi ver meu ex marido ir para outro estado buscar sustento para nós dois, e não poder me levar e não ter onde ficar, pois não podia voltar para casa do meu pai: Afinal ele disse, casou, agora que o marido assuma!
-Foi pedir para algumas pessoas para ficar na casa delas (pessoas da família) e ouvir que não podia me receber por míseros 3 meses.
-Foi ter ódio dá família e parentes, pois para que eles serviam se na hora que eu mais precisava eles nunca podiam ajudar..
-Foi ser amparada por pessoas estranhas, afinal um estranho te trata melhor que um parente...
-Foi ser acusada de roubo injustamente e perceber que a pessoa que você mais confiava falou para você: Pelo menos roubasse comida, pois essa pessoa sabia que eu passava necessidade.
-Foi ser abordada pelo familiar no meu banheiro e sentir as partes intimas dele, e correr para debaixo da cama, e ouvi a minha mãe dizer que sou bicho do mato.
-Foi ouvir de um parente que eu sou estranha e diferente, que não parecia com meu pai, e ver a minha mãe ser acusada injustamente de traição.
-Foi depois de ouvir isso, querer fugir de casa para ir em busca da minha família verdadeira, pois eu não poderia ser filha dos meus pais, com certeza eu era adotada, por isso o motivo de tanta indiferença, pensava eu...
-Foi está na casa da minha sogra e chegar uma amiga dela e eu correr e pular a janela e me esconder, afinal eu tinha fobia social, e ainda ter que conviver ouvindo essa pessoa dizer que não gostava dela, que tinha algo contra ela. Como poderia ter sentimentos bons ou ruins por alguém que eu não conhecia?
-Foi ameaçar um dos agressores que iria contar para mulher dele o que ele tinha feito comigo e ele me dizer que ela não ia acreditar em mim e eu me calar pois tinha medo que ele tivesse razão.
-Foi ter minha casa invadida por um colega de escola que queria namorar comigo a força, mesmo eu dizendo que não sentia nada por ele...
-Foi ser agredida por ele dias depois
-Foi chegar na escola e lá passar mal, minha língua enrolar, e meus colegas perguntar o que houve e ver todos se mobilizando, os homens atrás dele para bater e as mulheres me levando para o hospital
-Foi ver a minha amiga tirar a própria blusa para colocar na minha boca para que eu parasse de morder a língua e conseguisse respirar.
-Foi viver enfiada em hospitais, sem espaço mais no braço para furar e os médicos não descobri nada, simplesmente porque a minha doença era psicológica e nenhum medico foi capaz de identificar isso.
-Foi enfrentar erros médicos, com diagnósticos infundados e incoerentes
-Foi tomar remédio errado e desencadear outro problema
-Foi entrar em um consultório e o psiquiatra não olhar na sua cara
-Foi ser agredida verbal e fisicamente pelos médicos (os quais estavam lá para me ajudar) mas muitos tentaram me matar
-Foi me ver no chão do hospital caída, pois não sentia minhas pernas, e levar um chute da medica me dizendo: "Não tem vergonha não, uma moça dessa mostrando a calcinhas pra todo mundo", como se eu tivesse fazendo aquilo porque queria.
-Foi entrar em um consultório desesperada, pedindo um remédio pois a vontade de me jogar na frente de um carro estava muito forte e ela me dizer: "Já sei, seu trabalho é uma droga, seu chefe é uma droga", e eu desesperada falando para ela, doutora não é nada disso, eu amo meu emprego, meu chefe é uma pessoa maravilhosa, e só depois de ameaça-la, me levar pra tomar a medicação.
-Foi está na maca tomando medicação e ouvir dois enfermeiros conversando, falando que iriam me levar de lá na camisa de força para um hospital psiquiátrico.
-Foi eu fugir de lá e quase ser atropelada, pois a medicação havia me deixado com as vistas turvas e eu não conseguia enxergar direito.
-Foi acordar sufocada como se alguém estivesse me enforcando
-Foi ver coisas que não existiam, ouvir vozes sem ter ninguém do meu lado
-Foi ter desejos estranhos como comer barro, mastigar mangueira e comer creme dental...
-Foi se embriagar de remédios mesmo odiando tomar remédio
-Foi agredir pessoas que amava, simplesmente porque não aguentava ouvir a voz dela...
-Foi está sorrindo e do nada começar a chorar sem nenhum motivo aparente
-Foi me senti, feia, gorda, burra, fraca, incapaz, sentimental demais, indigna de viver
-Foi achar que todas as pessoas eram melhores que eu
-Foi ouvir coisas que machucava e engoli seco, pois não tinha coragem de falar nada
-Foi dizer sim para tudo (mesmo contra a minha vontade), pois quando disse não da ultima fez quase fui fuzilada viva
-Foi mesmo doente, mesmo me sentindo um lixo, tentar dar o meu melhor no trabalho e ter que ouvir que sou puxa saco.
-Foi tentar fazer o certo e ser criticada pelas pessoas que fazem o errado
-Foi está sufocada na minha mesa e perturbada com um pensamento que insistia em dizer para me jogar do nono andar do meu trabalho, levantar ir até o parapeito do andar, e ficar lá 10, 15 ou 20 minutos tentando tomar coragem e quando voltar ter que escutar de algumas pessoas que eu estava "sabonetando"
-Foi contar com o apoio da minha supervisora, uma das poucas pessoas que tentou me ajudar e através dela ser levada para um ambulatório e ficar lá a tarde toda deitada esperando minha pressão baixar, e preocupada com meus colegas trabalhando lá sozinhos, e quando voltar ter que ouvir: Estava "sabonetando" né, desse jeito tá fácil..
-Foi ter que ouvir um colega de trabalho me xingar e me humilhar e me fazer sentir inferior a ele.
-Foi ficar afastada no INSS 4 meses por conta da depressão e quando voltar ter que encarar olhares e comentários medíocres
-Foi encontrar um colega na cozinha e ele me perguntar em voz alta o que eu tive, e eu senti vergonha de responder e falar baixinho, depressão e ele responder para todo mundo ouvir PRESSÃO...porque eu precisava ter vergonha por ter depressão?....porque uma pessoa que cai de moto e fica afastada quando volta é recedida com festa e eu quando voltei, quase ninguém falou comigo, porque me senti como se tivesse tido lepra?...Porque em um setor com mais de 200 pessoas no minimo, só umas 10 vieram prestar solidariedade...Porque?
-É saber que tenho muito mais a dizer mas que não posso ir adiante porque a maioria não vai ler mesmo.
-É saber que mesmo eu dizendo tudo isso, muitos ainda vão julgar
-É saber que se eu me matasse como algumas pessoas infelizmente tem feito (não julgo, cada um sabe da sua dor), mesmo assim, muitos ainda iriam julgar, xingar, dizer que fui fraca, e todas as baixarias que escuto quando acompanho um caso de perto.
-É saber que a depressão tem tratamento e tem cura....

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